Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

QUANDO SERÁ O 25 DE ABRIL A SÉRIO?


EU ERA UMA CRIANÇA... MAS CONTARAM-ME
.
Em Portugal, este é um dia muito especial: 25 de Abril. É feriado e comemora-se o Dia da Liberdade.
Lembram-se os mais velhos de tudo e pelo que dizem lembram-se perfeitamente da alegria incontida de participarem e assistirem ao derrube de um regime podre, insensível, assassino de milhares de jovens portugueses, através das acções da PIDE/DGS e da constante mobilização de soldados para a guerra das então colónias. Muitos milhares não regressaram. O regime atroz de Salazar e Caetano dizimou a juventude portuguesa em prol do nem-estar de meia dúzia de famílias.
.
Eu era criança, de pouco ou quase nada me lembro, para além da alegria dos meus pais e do meu país. Parecia que todos do meu país rodopiavam alegremente junto ao meu pequeno corpo. Olhava os gigantes que cantavam e pulavam à minha volta, pelas ruas, por mais diversos espaços públicos e privados.
De repente ficava maior que eles e via as suas cabeças e os seus corpos la em baixo num êxtase de alegria. E atiravam-me ao ar. E diziam que a liberdade estava a passar por ali e que tinha vindo para ficar porque a defenderiam.
Era o 25 de Abril de 1974. Tantas palavras promissoras eu ouvi, a tantas alegrias eu assisti.
E agora, hoje, neste momento, onde estará a liberdade e a alegria que guardei no cofre das minhas memórias de criança?
É isto a liberdade? É isto a democracia? A justiça?
O 25 de Abril, sempre! É isto?
Não, esse durou muito pouco... ou provavelmente nem durou, não existiu. Restou uma data que simboliza sonhos irrealizáveis.
Continuo a ver os fortes cada vez mais fortes e os fracos cada vez mais fracos.
Traíram ABRIL, o Abril que guardo nas memórias do meu pequenino corpo de então.
Quando será o 25 de Abril a sério?

1 comentários:

Orlando Castro disse...

Pois é. Mas vale a pena continuar a lutar pelos que não têm voz, pelos milhões que são gerados com fome, nascem com fome e morrem com fome. Vale a pena porque, afinal, só é derrotado quem deixa de lutar.

Um abraço do,

Orlando Castro