VITOR MANCHIRICA - Maputo, Segunda-Feira, 6 de Abril de 2009:: NotíciasAs três províncias do norte, nomeadamente Cabo Delgado, Niassa e Nampula, e Zambézia, no centro, já foram declaradas livres de minas, no âmbito do programa de desminagem, que decorre no país desde o fim da guerra, em 1992. A revelação foi feita pelo Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Eduardo Koloma, no decurso de uma cerimónia inserida nas celebrações do Dia Internacional de Sensibilização e de Assistência aos Programas de Acção contra minas que se assinalou semana passada, sob o lema “SADC Unida em Prol do Desenvolvimento e Integração Regional”.
Eduardo Koloma disse que até 2014 todo o país deverá estar livre de minas, no quadro de um programa estratégico que está a ser implementado desde o ano passado e que, ao nível da província de Manica, a terceira mais afectada por aqueles engenhos, deverá abranger neste período os cerca de 2,45 milhões de metros quadrados de áreas minadas já conhecidos. Para a realização deste objectivo, Koloma disse que o Governo, em cooperação com os seus parceiros, adoptou uma estratégia de desminagem distrito por distrito como forma de flexibilizar a programação das actividades, bem como conferir maior visibilidade e transparência aos resultados do trabalho realizado pelos operadores.
Como corolário desta estratégia, foram alcançados resultados positivos em diversos pontos do país, nomeadamente Gondola, Marromeu, Búzi, Machanga, Mabote, Massinga, Jangamo, Inharrime, Zavala, Bilene, Matutuíne, Namaacha, Boane, Marracuene, Manhiça e Magude.
Ao nível nacional, segundo a fonte, já foram clarificadas 223 áreas anteriormente minadas, correspondentes a 2,2 milhões de metros quadrados. Este número indica a superação em 40 por cento da meta estabelecida, em virtude de terem sido localizadas e destruídas cerca de 1400 minas terrestres e 844 engenhos não explodidos.
Para Manica, que possui uma das fronteiras mais minadas – cerca de 600 quilómetros de comprimento com o Zimbabwe – estão disponíveis pouco mais de 590 milhões de meticais a serem utilizados até 2010. A limpeza será realizada pela Halo Trust, uma operadora que vai substituir a Handicap International, segundo Helen Grein, representante daquela firma no país.
“Continua a ser o nosso principal objectivo liberar Moçambique e outros países da região do flagelo de minas que ainda assola a África Subsahariana, constituindo um dos obstáculos ao desenvolvimento socio-económico”, disse Koloma.
O governador de Manica, Maurício Vieira, disse que as minas constituem um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento, uma vez que a sua existência impede a prática de agricultura e a efectivação de outros projectos de geração de riqueza.
Segundo Vieira, com as terras já livres de minas, os camponeses poderão produzir em segurança, explorar os recursos naturais nelas existentes e circular livremente, contrariando o cenário actual.
Dados avançados por aquele governante indicam que até 2007 existiam na província 146 zonas suspeitas de estarem minadas, com uma área de aproximadamente 5,1 milhões de metros quadrados. De 2004 e 2007, a Handicap International clarificou 435 mil metros quadrados em 232 áreas susceptíveis de conterem explosivos e destruiu 873 engenhos e milhares de munições.
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